“Eu sou da Diocese de Paulo Afonso, vou sempre voltar para a Diocese de Paulo Afonso” Diz padre Celso em última entrevista à RBN FM

“Eu sou da Diocese de Paulo Afonso, vou sempre voltar para a Diocese de Paulo Afonso” Diz padre Celso em última entrevista à RBN FM

Por Wallace Lima da Revista Baiana de Notícias///Portal de Notícias da RBN FM

Na tarde desta última quinta-feira (16) o povo de Paulo Afonso parou para acompanha a emocionante entrevista do Padre Celso à Rádio Bahia Nordeste. O Pároco deixa a Capital da Energia depois de 13 anos de luta e realizações, Padre Celso celebra suas últimas missas no domingo (19) e depois se prepara para viajar para Alemanha, onde vai tratar um câncer nos pulmões. Em trechos da entrevista Padre Celso deixou a esperança para seu povo, que um dia há de retornar.

Confira entrevista com Padre Celso

Luta contra o câncer:

“Com a força de Deus, a presença de Jesus Cristo, a força das pessoas, conheci pessoas maravilhosas que sempre me apoiaram, me motivaram, Paulo Afonso tem pessoas maravilhosas e a gente vai aprendendo também com o tempo, ano passado quando completou dez anos de luta, nós fizemos alguns momentos de encontros com as pessoas, onde eu falei abertamente, porque eu nunca tinha falado da doença, porque quando uma pessoa lhe dá um diagnóstico desses, você acha que vai morrer logo. Me lembro no dia que a médica me disse o que era e ela ainda falou que estava chocada com o resultado do exame, então eu sair de lá pensando que ia morrer e ai a gente vai aprendendo a lidar com a situação, vai aprendendo a enfrentar, e vai se descobrindo que a vida é para lutar, a luta é a vitória da vida, e não é uma luta de momento, é uma luta de sempre. Fui aprendendo com outras pessoas que estão na mesma luta e uma poção de coisas tem me ajudado a superar tudo, então é isso”.

Tratamento na Alemanha:

“Agora em maio completa onze anos e eu já fiz nome cirurgias e agora cirurgias no pulmão não é uma coisa recomendável, uma médica na Alemanha me começou a passar informações sobre a possibilidade de tratar sem abrir, tratar sem fazer cortes, eles chamam de processo não invasivo e são tratados com agulhas, vão tratando tumor por tumor e você não tem cortes. Então o pessoal de lá foi me convidando, também para ter acesso a esse tratamento tem que se registrar lá como trabalhador, porque lá você só tem acesso a saúde se você estiver trabalhando lá, então é um processo de ter um trabalho, se inserir a vida lá e a parti daí se iniciando o tratamento. É uma vida que tem que recomeçar, tentar sempre”.

Construção de Igrejas:

“Fizemos um calendário para homenagear as pessoas e mostrar que é possível, hoje vivemos em uma esperança muito grande de achar que o poder público tem que fazer tudo, é possível juntar as comunidades, todos se mobilizarem, acreditarem, porque acho que estamos vivendo em um tempo de desesperança no social, em lutar junto, desesperança de um com o outro, a dependência do poder público, qualquer coisa estamos responsabilizando o poder público, eu acho que é o tempo de descobrir a esperança, porque a esperança só encontra quando você trabalha junto com o outro. Então é possível construir, isso tudo não fui eu, foi obra das comunidades, do povo, de pessoas aqui que trabalharam, que se esforçaram, foram vender xerém, fizeram bazares, então é possível se unir e construir juntos”.

Volta para Paulo Afonso?

“Eu sou sempre da Diocese de Paulo Afonso, vou sempre voltar para a Diocese de Paulo Afonso. Agora o tratamento que eu vou fazer é longo, porque precisa de todo um processo de você se inserir lá, é um lugar diferente daqui, é outra língua, um lugar que tem uma organização completamente da nossa, então sei que vou precisar de tempo para me inserir lá e vou precisar também de tempo para fazer esse tipo de tratamento e não é uma coisa breve. Então quando as pessoas perguntam eu digo que quero volta, mas não posso me comprometer com pessoas”.

Últimas missas:

“O encerramento vai ser domingo, começamos as 7 da manhã na Igreja de São Francisco, ás 10hs no Povoado Bonomão, onde vamos entregar uma grande Igreja, que é fruto dessas partilhas, no início da tarde uma roda de São Gonçalo na Baixa Verde, perto de Santa Brígida e ás 18hs a missa na Igreja de São Lourenço e ai a gente se despede”.

Sobre o autor  ⁄ Redação RBN

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