Saída de Jorge Jesus reacende a arrogância típica do futebol brasileiro

Por Agência de Notícias RBN

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Estou em Portugal há um mês. A primeira vez que escrevi sobre a pressão por aqui para que o Benfica fosse buscar Jorge Jesus foi em 29 de junho. Sinais. Em 6 de julho, relatei que um amigo próximo de Jesus, que jogou com ele, que foi levado por ele ao Sporting, estava dizendo na TV que o técnico “não havia dito não” ao chamado do Benfica. Sinais. Dois dias depois, escrevi no blog sobre meu espanto por muitos estarem espantados com a possível volta do técnico. Anteontem, veio a confirmação.

Eu e muitos outros colegas estávamos apenas dando informações e fazendo observações. Mas, claro, nas redes sociais somos tratados como “antis”, “torcida contra”, “mídia paulista”, esse monte de baboseira. Está aí o resultado. Para quem gosta de viver na mentira das versões e discursos oficiais, os tombos e surpresas são grandes

Enquanto aqui em Portugal foram duas semanas tratando a volta de Jesus ao Benfica como “favas contadas”, no Brasil a ficha demorou a cair. E, para muita gente, a ficha ainda não caiu. Muitos seguem sem entender que o lugar do Flamengo no mapa mundial da bola é um, o do Benfica é outro. O lugar do Brasil no mapa mundial da bola é um, o de Portugal, outro. O Flamengo pode até estar em “outro patamar”. Mas dentro do quintal dele. O Benfica está em outro quintal, bastante mais rico e relevante.

Talvez isso mude. O mais provável é que não. A saída de Jorge Jesus despertou novamente aquela arrogância típica do brasileiro, que realmente se acha a última bolacha do pacote quando o assunto é futebol. É curioso, é até paradoxal. Porque a passagem de JJ deveria representar (mais) um banho de humildade. Veio um cara que não é um dos tops europeus e mostrou em poucos meses que ele, sim, é que estava em “outro patamar”. Tem muito técnico brasileiro bom, tem muito técnico ruim. Pouco a pouco, vamos entendendo como ficamos para trás. E como profissionais que vêm de fora podem contribuir para a melhora do nosso futebol.

Tem muito técnico brasileiro bom, tem muito técnico ruim. Pouco a pouco, vamos entendendo como ficamos para trás. E como profissionais que vêm de fora podem contribuir para a melhora do nosso futebol. Mas, quando o assunto é clube, volta com tudo o “complexo do pitbull”, que é o inverso do “complexo do vira-lata”. E muito torcedor fica simplesmente indignado com uma decisão que nem é assim tão difícil de compreender. Jorge Jesus tinha descido um degrau ao assumir o Sporting. Outro ao partir para a Arábia. Andou de lado e veio parar no Brasil. Conseguiu ser visto. Reconquistou respeito. Ganhou quase tudo. E voltou para a elite na primeira oportunidade. Como era de se esperar.

Por Globoesporte

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